Os projetos estão presentes nos mais diversos cantos das nossas vidas, desde o profissional e o acadêmico até o pessoal. Analisando bem, até mesmo uma faxina na casa ou uma viagem pro Caribe é um projeto, e, portanto, pode ser gerenciado por técnicas e instrumentos próprios. A gestão de projetos é uma disciplina difundida nos mais diversos setores de uma empresa, essencial para o bom funcionamento dela. Entretanto, gerir um projeto não envolve apenas o conhecimento técnico daquela área trabalhada, por mais completo que seja esse conhecimento. Envolve muito mais do que isso.

Nunca foi tão exigente o mercado de trabalho como é hoje. O conhecimento técnico, puro e simples, já não garante um lugar no mundo das profissões, muito menos nos setores que envolvem gestão de projetos. São imprescindíveis, em qualquer área de atuação profissional, habilidades que envolvam lidar com emoções próprias e alheias, lidar com problemas de relacionamento com pessoas, lidar com a automotivação. Habilidades intrapessoais e interpessoais. Em outras palavras, nunca foi tão necessário como agora a Inteligência Emocional.

Mas final, o que é a Inteligência Emocional? É inviável falarmos sobre esse assunto sem definir um dos fatores estruturantes desse termo, a emoção. Emoções são programas de ações coordenados pelo cérebro que gerenciam mudanças em todo o nosso corpo, desencadeando comportamentos automáticos com base nos estímulos externos ou mentais que recebemos. Consiste em algo automático, ou seja, alheio ao controle da vontade e é exatamente aí que se encontra a eficácia da reação humana potencializada frente a um estímulo.

Tendo em vista esse conjunto de ações enérgicas, depreende-se que a Inteligência Emocional está ligada ao entendimento do seu perfil emocional e dos demais. Identificando, com isso, como os corpos reagem mediante certas situações e compreendendo, principalmente, por meio da autoanálise, quais seriam as melhores e mais oportunas formas de agir ou de retardar determinados picos emocionais ou, ainda, administrar, de forma eficaz, as reações alheias.

Trata-se de uma dupla via que pressupõe, primeiramente, uma identificação interna, que visa, num segundo momento, um reflexo externo materializado na forma de habilidades sociais e empatia. Por meio desse processo de desenvolvimento, nos tornamos aptos a perceber, controlar, expressar e avaliar os contextos que envolvem emoções, atingindo, gradativamente, uma série de perfis que se adequam ao momento pessoal ou profissional exigido.

A Inteligência Emocional envolve, também, a habilidade de tornar-nos complementares de outros perfis que permeiam nossas relações sociais e, além disso, intencionais no alcance do perfil ideal, seja ele representativo de uma emoção calma, sensível ou incisiva. Aborda-se isso tendo em vista que há espaço e necessidade, no contexto empresarial, por exemplo, para que todos atuem como vetores que racionalizam seus processos fisiológicos para que estes sejam corretamente direcionados a uma produção mais eficaz ou ainda a uma solução inovadora em meio a um projeto.

Daniel Goleman, considerado o ¨pai da Inteligência Emocional¨, é um psicólogo, escritor e PhD na Universidade de Harvard, que define a Inteligência Emocional como a ¨capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos¨.

Goleman mostra que o controle das emoções é essencial para o desenvolvimento da inteligência de um indivíduo. Além disso, o escritor diz que não existe uma genética que determine quem serão os vitoriosos e os fracassados na vida, pois muitos circuitos cerebrais da mente humana podem ser trabalhados, já que são maleáveis. Para ele, se um indivíduo possui ou não sucesso na sua vida, a Inteligência Emocional é a maior responsável, já que no trabalho e na vida a maioria das situações são regidas por uma relação entre pessoas, logo, a qualidade dessa relação depende diretamente da inteligência do indivíduo.

O psicólogo chegou a categorizar a Inteligência Emocional em quatro habilidades:

  • 1º- Autoconhecimento Emocional: Como o próprio nome diz, é a capacidade de reconhecer o que está sentindo, o porquê de estar sentindo. Pessoas com esta habilidade possuem um controle maior sobre sua vida. Caso contrário, o indivíduo fica à mercê de suas emoções. Por exemplo: Boa intuição, boa tomada de decisão e também uma ¨bússola moral¨ eficiente.
  • 2º- Autogestão ou Controle Emocional: É a habilidade de lidar com os sentimentos, de controlá-los. Se os sentimentos forem negativos, significa tomar conta deles de uma maneira eficaz, para que não estraguem o seu dia ou momento e ao mesmo tempo sintonizando-os quando necessário, pois, de acordo com Goleman, toda emoção tem uma função. Além disso, também significa fazer brotar emoções positivas, se envolvendo e se entusiasmando com o trabalho, alinhando as vontades (paixões) com as ações.
  • 3º- Empatia: Esta habilidade significa saber o que a outra pessoa está sentindo, permite reconhecer necessidades e desejos nos outros, permitindo-lhes uma construção mais eficaz nos relacionamentos.
  • 4º- Habilidade (ou sensibilidade) Social: A última habilidade é definida por Goleman como uma ¨união¨ de todas as habilidades anteriores, é a base para sustentar a popularidade, a liderança e a eficiência interpessoal.

Há também, em outra perspectiva além de Goleman, que existe uma 5ª habilidade. Trata-se da Automotivação, trata-se de dirigir as próprias emoções para realizar um objetivo pessoal. Com esta habilidade desenvolvida, encontra-se prazer no trabalho e não se perde a calma em momentos difíceis para conquistar os objetivos.

Muito já foi debatido sobre a importância da inteligência emocional e a ineficácia do conhecimento técnico isolado no desenvolvimento de uma proposta. Mas como o conhecimento interpessoal se aplica efetivamente na gestão de um projeto?

Quando se trata de trabalho em equipe, a interação entre os membros é inevitável, sendo então de suma importância que mantenham uma boa relação para que possam desenvolver juntos suas tarefas. Contudo, é natural que surjam desavenças em um ambiente repleto de pensamentos e personalidades divergentes, e é por esse motivo que o auto-conhecimento e o conhecimento interpessoal são extremamente relevantes para a organização em grupo.

Nesse sentido, a empatia e a sensibilidade social, ou seja, a capacidade de percepção da emoção alheia, possibilitam a tolerância a opiniões diversas, a valorização e o respeito ao próximo e a capacidade de fusão de ideias para aprimorar um conceito inicial. Assim, permitem uma melhor desenvoltura do trabalho a ser realizado sem que ocorram conflitos que possam atrapalhar o bom funcionamento da equipe.

Ademais, a resolução de possíveis problemas que possam surgir na execução de um projeto depende não só da capacidade dos membros de solucioná-los, mas também da habilidade de comunicação entre eles para que possam, em coletividade, tomar uma decisão coerente.

Torna-se evidente, portanto, que o relacionamento do grupo pode influenciar positiva ou negativamente na execução de um projeto. Desse modo, a inteligência emocional e o conhecimento interpessoal são essenciais para boa convivência da equipe, e assim, para a obtenção de resultados de sucesso.

O conhecimento técnico sozinho, portanto, não leva a lugar algum, independentemente da área em que o profissional está inserido; nunca foi tão necessário a habilidade de se auto conhecer e relacionar com os outros. A Inteligência Emocional, aos poucos, torna-se a habilidade primordial que as grandes empresas buscam em novos talentos. Cabe, agora, a você, leitor, transformá-la em um peso na balança a seu favor, contra futuros concorrentes.

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